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Print this itemEmail this item 05/12/09
Apesar da tempestade econômica, cai o turnover de CEOs na América do Norte e na Europa, conclui estudo anual da Booz & Company

No Brasil, o turnover de CEOs em 2008 foi maior que a média mundial, influenciado principalmente pelos setores de siderurgia, metalurgia e serviços financeiros


São Paulo, 12 de maio de 2009 – Para enfrentar a pior crise econômica desde a Grande Depressão, os conselhos de administração da América do Norte e da Europa estão se agarrando firmemente aos seus atuais CEOs, ou Chief Executive Officers, revela um estudo da consultoria Booz & Company sobre o turnover desses executivos em 2008. O declínio nos índices de sucessão nessas duas regiões contrasta com o leve aumento de saídas de CEOs em termos globais.

O estudo global da Booz & Company sobre os padrões na sucessão de CEOs examina o grau, a natureza e a distribuição geográfica das trocas de líderes entre as 2.500 maiores empresas do mundo com ações cotadas em bolsa. Neste ano, pela primeira vez, a pesquisa inclui informações sobre os CEOs que ingressaram nessas empresas, jogando luz sobre as carreiras dos executivos que conseguem chegar ao topo das organizações.

A principal conclusão do estudo é que a recessão está levando muitos conselhos de administração a manter os líderes que eles já conhecem. As saídas de CEOs caíram 0,5 ponto percentual na América do Norte e 1,9 ponto percentual na Europa na comparação entre 2008 e 2007. Já em âmbito global, esse número subiu 0,6 ponto percentual.

No Brasil, no entanto, a taxa média de turnover em 2008 cresceu 4,6 pontos percentuais em relação aos 5 anos anteriores. O estudo local complementa o global e cobre as 130 maiores empresas brasileiras com ações em bolsa, com receita líquida acima de R$ 500 milhões.

“Os conselhos estão evitando adicionar a instabilidade implícita nas trocas de comando à volatilidade e à complexidade do ambiente externo. Porém, embora escolham manter no cargo seus CEOs experientes, a tempestade econômica representa uma ampla oportunidade de testar sua liderança. As decisões dos CEOs estão sendo cada vez mais esmiuçadas, e temos a expectativa de que as taxas de turnover voltem a crescer no mundo todo quando os conselhos avaliarem a performance dos líderes ao final da crise”, afirma Paolo Pigorini, vice-presidente da Booz & Company no Brasil.

A pesquisa traz outras conclusões interessantes:

  • Os motivos para o turnover de CEOs em âmbito global foram bastante consistentes com os de anos anteriores. Dos 361 eventos de sucessão entre as empresas pesquisadas, 50% foram planejados (aposentadoria, doença, mudanças já esperadas), 35% foram forçados (quando o conselho demite o CEO por baixa performance financeira, problemas éticos ou diferenças irreconciliáveis), e 15% foram causados por fusões & aquisições. Em 2007, para comparação, 346 CEOs deixaram suas empresas: 49% das saídas foram planejadas, 31% foram forçadas e 20% causadas por fusões.

No Brasil, a exemplo do estudo global, as sucessões planejadas representam a maior parte do turnover de CEOs nos últimos anos. Entre 2006 e 2008, 69% das saídas foram decorrentes de sucessões planejadas, 19% de demissões, e 12% de fusões & aquisições.

  • As indústrias de serviços financeiros e energia superaram todas as outras na taxa de turnover mundial. Em serviços financeiros, 18% dos CEOs perderam seus postos, quebrando o padrão de anos anteriores. O índice de sucessões forçadas alcançou 8,8%, mais que o dobro da taxa histórica de 3,4%. No setor de energia, o turnover forçado também atingiu um recorde, com 5,6% das companhias demitindo seus CEOs, versus a taxa típica de 2,7%. O estudo mostra uma correlação grande entre o turnover e a incerteza nessas indústrias.

Os setores mais afetados no Brasil foram metalurgia e siderurgia, responsáveis por 23% das saídas de CEOs em 2008, e serviços financeiros, com 15%.

  • Quase 20% dos CEOs no mundo todo já ocuparam o cargo mais alto da empresa anteriormente, praticamente o dobro da média mundial de 9,8% verificada em anos anteriores. No Brasil, essa proporção é muito maior: 46% dos CEOs que assumiram em 2008 já apresentavam experiência prévia no cargo.
     
  • A média mundial de idade dos CEOs que ingressaram nas empresas no ano passado, é de 52,9 anos, quase dois anos a mais que a média de 51 ao longo da década passada. No Brasil, a idade média dos novos CEOs tem apresentado certa estabilidade, girando em torno de 49 anos.
     
  • Entre os CEOs no mundo todo, 65,6% já dirigiram um negócio, seja como CEOs, líderes de unidades de negócios ou diretores de operações. No Brasil, o índice é semelhante: 65% dos CEOs atuais das empresas pesquisadas já exerceram cargos com responsabilidades sobre resultados.

“Embora possuir uma experiência prévia como um turnaround ou o lançamento de uma nova linha de produtos possa ajudar na decisão de contratação de um novo CEO, está claro que aquilo que os conselhos realmente valorizam é a experiência de ter dirigido um negócio previamente”, destaca Paolo Pigorini.

Conclusões adicionais do estudo:

A vantagem do “insider”. Entre os novos CEOs no mundo todo, os “outsiders” – aqueles que foram trazidos de fora para liderar a companhia – somaram cerca de 24%, enquanto que 76% eram “insiders”, ou seja, promovidos dentro da própria empresa. Os conselhos parecem estar testando potenciais líderes como diretores de operações ou diretores financeiros antes de dar a eles o controle da empresa.

No Brasil, 77% dos novos CEOs em 2008 já trabalhavam na empresa, e somente 23% foram contratados de fora. Da mesma forma, também há uma clara preferência por executivos com experiência no mesmo setor, que representaram 92% dos casos.

Internacionais, mas não multiculturais. Embora 52% dos novos CEOs tenham tido uma experiência internacional prévia, apenas 13% são originários de países diferentes da matriz. Dos 361 novos CEOs, somente quatro são mulheres, apesar de pelo menos metade da força de trabalho dos países desenvolvidos ser feminina.

Ressurgimento do modelo de “aprendiz”. Metade dos novos CEOs em sucessões planejadas assumiu o trabalho após um período como aprendiz, enquanto seus antecessores faziam sua transição para a presidência do conselho. Essa tendência cresceu profundamente na América do Norte, onde 57% dos novos CEOs assumiram o cargo na posição de aprendizes em 2008, 20 pontos percentuais acima da média histórica da região.

Construindo uma plataforma mais sólida de liderança

Dada a situação sem precedentes na economia global, o desafio de desenvolver lideranças tornou-se urgente, especialmente para a próxima geração de CEOs. Nesse sentido, a Booz & Company sugere uma abordagem estruturada do processo de sucessão. O primeiro passo é não deixar o planejamento da sucessão só nas mãos do departamento de RH – esse processo funciona melhor com participação ativa da alta direção, com o engajamento do conselho.

 
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