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Os próprios executivos que fazem parte do alto escalão de grandes empresas no Brasil estão céticos sobre a eficácia dos planos definidos por suas empresas para enfrentar a crise econômica. Pesquisa realizada pela consultoria Booz & Company, com 90 comandantes de companhias no país, em dezembro, mostra que 39% deles não acreditam na eficácia dessas estratégias.
Os próprios executivos que fazem parte do alto escalão de grandes empresas no Brasil estão céticos sobre a eficácia dos planos definidos por suas empresas para enfrentar a crise econômica. Pesquisa realizada pela consultoria Booz & Company, com 90 comandantes de companhias no país, em dezembro, mostra que 39% deles não acreditam na eficácia dessas estratégias. E, 35% questionam a capacidade dos dirigentes liderarem esses planos.
Essa descrença não atinge apenas os comandantes brasileiros. O estudo ouviu ainda o alto escalão de empresas instaladas em 65 países, totalizando 828 executivos. Entre eles, 42% ocupam cargos de CEO e o restante são vice-presidentes e diretores. Em comum, aparece a dificuldade desses administradores para tomar decisões compatíveis com o cenário atual. A maior parte dos dirigentes não está segura que sua companhia tem condições de enfrentar as turbulências econômicas.
"Existe uma percepção de que as ações que estão sendo tomadas são inadequadas para enfrentar esse momento", diz Ivan de Souza, presidente da Booz & Company no Brasil. No geral, o estudo mostra que os executivos brasileiros e de companhias situadas em países considerados emergentes estão mais otimistas em relação à superação da crise. Quase 60% acreditam que suas empresas poderão sair até fortalecidas desse período de instabilidade econômica.
O maior nível de confiança dos brasileiros, entretanto, não impede a autocrítica do alto escalão. Os executivos acreditam que até agora houve um descompasso entre o que deveria estar sendo feito e o que de fato está na agenda de prioridades das companhias. Em especial, nas empresas com uma situação financeira mais frágil. Para 73% dos executivos entrevistados elas têm adotado ações inapropriadas diante da crise. Não está existindo, na opinião desses dirigentes, uma preocupação em poupar, renegociar com fornecedores ou colocar o pé no freio nos projetos de investimento. Um terço dos participantes informou que suas empresas não estão, inclusive, sendo mais agressivas nessa direção como deveriam.
Para Souza, empresas que não têm uma situação financeira sólida no Brasil ainda estão tímidas em relação a se desfazer de ativos para recompor sua posição de caixa, em comparação a ações tomadas em outros países. "Algumas delas ainda não fizeram uma mudança efetiva para abandonar suas pretensões de crescimento", diz. Quase metade dos executivos pesquisados no país, entretanto, afirma que a estrutura de seu setor deve mudar radicalmente por conta da crise. "Isso acontecerá com fusões, aquisições, com uma maior concentração de indústrias e o surgimento de novo modelo de negócios", explica o consultor.
No caso das empresas que estão com uma situação financeira mais confortável, a percepção dos executivos também é de que as ações tomadas estão indo na contramão. Para eles, quem está com o caixa fortalecido está perdendo boas oportunidades de avançar a despeito da crise. "Elas ainda não estão se posicionando para realmente investir onde a crise lhes possibilita ganhar espaço", diz Souza. O estudo mostra que 21% dessas companhias estão voltando atrás em relação a fusões e aquisições.Uma em cada cinco está investindo menos em novos produtos ou diminuindo o ritmo de negócios em mercados emergentes.
As ações das companhias, tanto das que estão com uma situação financeira mais estável ou comprometida, têm sido voltadas ao curto prazo. No levantamento, 46% disseram que a agenda da empresa está muito focada em resolver questões emergenciais. "As companhias não estão olhando para frente", diz Souza.
0 estudo conclui que existe uma necessidade dos executivos seniores fazerem uma avaliação mais honesta e aprofundada a respeito das condições do mercado e da saúde financeira de suas empresas para lidar melhor com esse momento de crise. "É preciso analisar a capacidade competitiva e tirar proveito desse cenário critico para dar um novo salto em relação aos concorrentes", diz o consultor.
Em todos os países pesquisados, o nível de incerteza está relacionado com a capacidade dos líderes responderem rápido à crise, estabelecendo claramente o plano a ser seguido. "Por enquanto, vivemos o 'efeito manada'. Todas as companhias estão adotando medidas de ajuste, mas quem tem potencial deve pensar mais a fundo o que irá fazer a médio e longo prazo", diz Souza.
No estudo, 62% dos executivos brasileiros acreditam que no médio e longo prazo a crise terá um impacto positivo para a companhia. Cerca de 88% dizem que a situação financeira de suas empresas hoje está boa e apenas 9% afirmam que precisarão de ajuda externa. "Esse otimismo baseia-se no fato de muitas empresas ainda não estarem sentindo o verdadeiro impacto da crise", diz Souza. Para ele, a maior autoconfiança dos brasileiros em relação aos executivos de outros países está relacionada ao fato de termos vivido e superado outras crises no passado. "Nossa autoimagem é positiva", diz.